Guia de Temas Mensais

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O Guia de Temas Mensal visa promover um maior aprofundamento nos momentos de reflexão em grupo, pois estes são importantes para a formação e o crescimento integral individual e do grupo no despertar e fortalecimento da fé e da doutrina da Igreja. O Guia de Temas Mensais é um apoio no trabalho de Evangelização através da Capela Peregrina de Nossa Senhora de Guadalupe.

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2 de nov. de 2020

Tema Mensal - Novembro 2020

  Novembro – 2020 (Ano A)

 “A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro” (Ap 10)

“Vede! Eu mesmo vou procurar minhas ovelhas e tomar conta delas” (Ez 11)

 No grande Credo da Igreja, a parte central - que trata do Mistério de Cristo a partir da sua geração eterna no Pai e do nascimento temporal da Virgem Maria, passando pela Cruz e a Ressurreição até ao seu retorno - conclui com as palavras: “... de novo há-de vir em sua glória, para julgar os vivos e os mortos”. Já desde os primeiros tempos, a perspectiva do Juízo influenciou os cristãos até na sua própria vida quotidiana enquanto critério segundo o qual ordenar a vida presente, enquanto apelo à sua consciência e, ao mesmo tempo, enquanto Esperança na justiça de Deus.

A fé em Cristo nunca se limitou a olhar só para trás nem só para o alto, mas olhou sempre também para a frente para a hora da justiça que o Senhor repetidas vezes preanunciara. Este olhar para diante conferiu ao cristianismo a sua importância para o presente. ...

Carta Encíclica - SPE SALVI - Salvos na Esperança n. 41 - Bento XVI

Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não estão completamente purificados, embora tenham garantida sua salvação eterna, passam, após sua morte, por uma purificação, a fim de obter a santidade necessária para entrar na alegria do Céu.  

A Igreja denomina Purgatório esta purificação final dos eleitos ...

Catecismo da Igreja Católica – ns. 1030/1031

 Alguns teólogos  recentes defendem que o fogo que simultaneamente queima e salva é o próprio Cristo, o Juiz e Salvador. O encontro com Ele é o ato decisivo do Juízo. Ante o seu olhar, funde-se toda a falsidade. É o encontro com Ele que, queimando-nos, nos transforma e liberta para nos tornar verdadeiramente nós mesmos. As coisas edificadas durante a vida podem então revelar-se palha seca, pura fanfarronice e desmoronar-se. Porém, na dor deste encontro, em que o impuro e o nocivo do nosso ser se tornam evidentes, está a salvação. O seu olhar, o toque do seu coração cura-nos através de uma transformação certamente dolorosa “como pelo fogo”.  

Contudo, é uma dor feliz, em que o poder santo do seu amor nos penetra como chama, consentindo-nos no final sermos totalmente nós mesmos e, por isso mesmo, totalmente de Deus. Deste modo, torna-se evidente também a compenetração entre justiça e graça: o nosso modo de viver não é irrelevante, mas a nossa sujeira não nos mancha para sempre, se ao menos continuamos inclinados para Cristo, para a verdade e para o amor. No fim de contas, esta sujeira já foi queimada na Paixão de Cristo. No momento do Juízo, experimentamos e acolhemos este prevalecer do seu amor sobre todo o mal no mundo e em nós. A dor do amor torna-se a nossa salvação e a nossa alegria. É claro que a “duração” deste queimar que transforma não a podemos calcular com as medidas de cronometragem deste mundo. O “momento” transformador deste encontro escapa à cronometragem terrena: é tempo do coração, tempo da “passagem” à comunhão com Deus no Corpo de Cristo. 

O Juízo de Deus é Esperança quer porque é justiça, quer porque é graça. Se fosse somente graça que torna irrelevante tudo o que é terreno, Deus ficar-nos-ia devedor da resposta à pergunta acerca da justiça - pergunta que se nos apresenta decisiva diante da história e do mesmo Deus. E, se fosse pura justiça, o Juízo em definitivo poderia ser para todos nós só motivo de temor. A encarnação de Deus em Cristo uniu de tal modo um à outra, o juízo à graça, que a justiça ficou estabelecida com firmeza: todos nós cuidamos da nossa salvação “com temor e tremor” (Fl. 2.12)

Apesar de tudo, a graça permite-nos a todos nós esperar e caminhar cheios de confiança ao encontro do Juiz que conhecemos como nosso “advogado”, parakletos (cf. 1Jo 2.1).

Carta Encíclica - SPE SALVI - Salvos na Esperança ns. 47 - Bento XVI

 A Igreja encerra o Ano Litúrgico, este ano no dia 22 de novembro, com a Solenidade:

“Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo”

***

“Maria Santíssima, Virgem fiel, nos ajude a fazer deste tempo do Advento e de todo o novo ano litúrgico um caminho de autêntica santificação, para louvor e glória de Deus Pai, Filho e Espírito Santo”

Papa Bento XVI  (26/11/2005)

  

PROPÓSITO DO MÊS

MEDITAR E REFLETIR:

“O Juízo de Deus é Esperança quer porque é justiça, quer porque é graça.”


INTENSÃO MENSAL

Oferecimento do Santo Terço à Santíssima Virgem Maria, “para que busquemos a santidade”.


PARA APROFUNDAR

Carta Encíclica - SPE SALVI ns. 41 e 47 - Salvos na Esperança - Bento XVI

Catecismo da Igreja Católica - CIC - ns. 1030/1031

 

*A obra que ilustra o Tema Mensal - Novembro 2020: “Descida ao submundo e Ressurreição”, é de Marko Ivan Rupnik e se encontra na Capela do Colégio St. Stanislaus em Liubliana, Eslovênia.

 

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1 de out. de 2020

Tema Mensal - Outubro 2020

 Outubro – 2020  (Ano A)

“Seu amor, de geração em geração, chega a todos que o respeitam.”


“Bem-aventurada sois, Virgem Maria, que conserváveis a palavra de Deus, 
meditando-a no coração”(Lc 2.19)

A devoção autêntica - ensina o Concílio Vaticano II -“não consiste em sentimentalismo estéril e passageiro ou em vã credulidade, mas procede da fé verdadeira que nos leva a reconhecer a excelência da Mãe de Deus, e nos incita a um amor filial para com a nossa mãe e à imitação das suas virtudes” (L.G. n.67) ...

A verdadeira devoção procede da fé, que nos leva a reconhecer a grandeza da Mãe de Deus.

Maria foi uma mulher normal, mas também a mais bendita das mulheres, enriquecida com singulares dons e privilégios: imaculada, cheia de graça, elevada ao Céu em corpo e alma, Mãe de Deus e Mãe da Igreja. “Por ser Mãe de Deus, tem certa dignidade infinita” - ensinava São Tomás de Aquino.

A verdadeira devoção nasce do apreço que a Santíssima Virgem nos merece. Os que mais a amam não são os corações desgovernados, mas sim os entendimentos lúcidos. Aceitam estes com alegria os seus carismas, mas abstêm-se “cuidadosamente, tanto de qualquer falso exagero, como também de uma demasiada pequenez de espírito”. ...

A grandeza de Maria brota da sua incomparável relação com Jesus Cristo. Todas as maravilhas nela realizadas estão em função de Jesus Cristo, bem como de “nós, homens, e da nossa salvação”. A sua razão de ser foi Jesus, seu Filho e seu Deus.

Não a vemos, pois, como uma deusa que de algum modo obscurece a Pessoa do seu Filho, mas sim como a primeira discípula de Cristo e a Mãe que nos pega pela mão e nos conduz a Ele. Se todas as gerações a proclamarão bem-aventurada, é por ser essa uma esplêndida forma de exaltar o seu bendito Filho. ...

Nada, pois, de separar a Mãe do Filho. “Jesus - escreve São Luís Maria de Montfort - é o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim... o único Mestre... o único Senhor... o único Modelo... o único Caminho... Se queremos uma sólida devoção à Santíssima Virgem, é para chegarmos à mais sólida união com Cristo.”

A cena do Calvário, em que Jesus entrega sua Mãe ao discípulo e vice-versa, apela a uma correspondência mútua de direitos e deveres, maternos e filiais.

Filiação é o termo adequado para definir a nossa relação com a Virgem Maria. São Luís Maria Grignion de Montfort, no seu Tratado da verdadeira devoção a Nossa Senhora, fala de escravidão, mas no sentido de “dependência amorosa”. Para ele, Maria é Senhora, Rainha, mas é, sobretudo, Mãe, a “Mãe de Deus”, a “minha Mãe”, a “boa Mãe”, a “querida Mãe”, a gloriosa Mãe...

Deus, para ele, é Pai: o “meu Pai”, o “Pai das Misericórdias”, o “Pai celeste”. A sua espiritualidade nasce do amor. ...

O único livro que o futuro João Paulo II levou para o conclave em que seria eleito Papa foi o Tratado de São Luís Maria de Montfort. A sua divisa “Totus tuus” inspirava-se também na obra do santo francês. Era uma expressão abreviada de uma sentença latina que o próprio Pontífice traduziu assim: “Eu sou todo teu e tudo o que é meu te pertence, meu doce Jesus, por meio de Maria, tua santa Mâe.”

Teresa de Calcutá resumia as obrigações de um bom cristão: “Amar a Virgem Maria como Jesus a amou. Ser para ela causa de alegria como foi Jesus. Permanecer perto dela como Ele fez. Confiar nela totalmente e perguntar-lhe, ao longo da jornada, que temos de fazer para amar Jesus como Ela o amou.” ...

O amor tem uma força unitiva que liga as pessoas que se amam e uma força imitativa que as torna parecidas.

No sublime poema italiano A Divina Comédia, São Bernardo aponta para Jesus e sua Mãe, e diz ao poeta Dante: “Repara que parecidos são!”

O nosso caminho e o dela coicidem: o seguimento de Jesus. Maria vai à nossa frente,deixando um rasto de evangélica fragrância, que leva a Igreja a cantar: “Chamai-nos para vós, ó Virgem Imaculada: correremos atraídos pelo aroma dos vossos perfumes.”

Todo o cristão recebe o conforto materno de Maria ao longo da sua caminhada para Jesus. Ela precede-nos, qual porta-bandeira, abrindo o cortejo dos seguidores de Cristo.

“Minha Mãe, quem me vir que te veja” - é o lema de grandes devotos.

Nossa Senhora do Evangelho “Fazei o que Ele vos disser” - Abílio Pina Ribeiro

PROPÓSITO DO MÊS

Meditar e refletir: “não consiste em sentimentalismo estéril e passageiro ou em vã credulidade, mas procede da fé verdadeira que nos leva a reconhecer a excelência da Mãe de Deus, e nos incita a um amor filial para com a nossa mãe e à imitação de suas virtudes” (L.G. n. 67)

INTENÇÃO MENSAL

Oferecimento da oração do Santo Terço à Santíssima Virgem, pedindo:“Que o puro amor de Deus reine em nossos corações”

PARA APROFUNDAR

Nossa Senhora do Evangelho “ Fazei o que Ele vos disser” - Abílio Pina Ribeiro
Constituição Dogmática Lumem Gentium sobre a Igreja n. 67


*A obra que ilustra o Tema Mensal de Outubro de 2020 (Ano A): “Nossa Senhora Aparecida Estilizada” - Cláudio Pastro.

Por: M.C.V.F. (Maria Celeste Ventura Ferreira)


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31 de ago. de 2020

Tema Mensal - Setembro 2020

 Setembro – 2020 - (Ano A)

“Ninguém subiu ao Céu, a não ser aquele que desceu do Céu, o Filho do Homem.” (João 3.13)

“Virgem Mãe tão santa e pura, vendo eu a tua amargura, possa contigo chorar” 

Diz uma lenda bretã que, quando os barcos naufragam no alto mar e os marinheiros se afogam em águas profundas, a mulher da morte lhe sussurra ao ouvido canções de berço, aquelas mesmas canções que os náufragos aprenderam de suas mães, quando eram embalados em seus berços. ... 

Mãe, dor, morte, fecundidade não são apenas palavras aproximativas ou evocativas. São expressões tão estranhamente aparentadas, tão mutuamente condicionadas que, num certo sentido, são palavras sinônimas. 

A mãe é tudo de uma vez: sagrada e terrena, pedra e estrela, aurora e ocaso, enigma e sangue, sino e silêncio, combate e ternura... 

Para cumprir esse destino, sagrado e telúrico ao mesmo tempo, a mulher, para ser mãe e ao ser mãe, renuncia e perde a sua personalidade, submergindo-se, de forma anônima, na corrente das gerações. 

Mas, assim como a hora do parto se passa atrás da cortina, também todo o heroísmo da vida da mãe transcorre em profunda simplicidade... Sofre e cala-se. Chora às escondidas. De noite, vela. De dia, trabalha. Ela é candelabro, os filhos são a luz. Dá a vida como a terra: silenciosamente. Aí está a raiz da sua grandeza e beleza. ... 

O mistério de Maria projeta-se como uma luz sobre a mãe eterna,

aquela que nunca morre e sempre sobrevive.

 A figura de Maria Mãe assume e resume a dor,

o combate e a esperança das infinitas mães que perpetuaram a vida sobre a terra.

 

O Silêncio de Maria - Conhecer de perto, Amar melhor - Ignácio Larrañaga

A Igreja da primeira hora recordou com devoção as dores de Maria, vendo-as simbolizadas na “espada” predita por Simeão e espetada no seu coração até ao fundo, nas horas da paixão e morte de Jesus. 

“O martírio da Santíssima Virgem é atestado pela profecia de Simeão e pela história da Paixão do Senhor” - meditava, comovido, São Bernardo. 

Já no episódio da Apresentação no Templo, a sorte de Maria aparece ligada ao destino trágico de Jesus. No Templo se oferece com o seu Filho ao Pai como sacrifício agradável. No Calvário mantém-se firme na fé e no amor ardente: “Sofreu com o seu Unigênito e associou-se com entranhas de Mãe ao seu sacrfício, consentindo amorosamente na imolação da Vítima que Ela prória tinha gerado” (L.G. 58). Na apresentação do Menino Jesus no Templo, a Mãe do Redentor revela o seu coração de Virgem oferente. 

A Igreja viu aí a continuidade da oblação fundamental que o Verbo encarnado fez ao Pai ao entrar neste mundo e a referência profética à sua Paixão. 

Proclamada viu também a cooperação de Maria na salvação da humanidade. As palavras de Simeão, envolvendo num só novelo o Filho e a Mãe, cumpriram-se no Calvário. A presença da Mãe junto da Cruz representa o ponto mais alto do seu serviço ao Senhor: está a seu lado, recebe com Ele os insultos, partilha a sua hora derradeira, toma nos braços o seu corpo exânime. Podemos dizer que Maria sofre na sua carne como ninguém a paixão de Cristo, porque padecia como mãe a tortura e a morte do Filho das suas entranhas. Espreme ali o melhor do seu coração de Virgem fiel, com uma vontade totalmente rendida aos desígnios do Pai. ... 

Entre as “lamentações” ou “prantos de Maria” descritos na Idade Média, um dos mais comoventes é o Stabat Mater: “Estava a Mãe dolorosa.” 

Recitando este poema, o cristão partilha no seu interior o pranto e a dor da Virgem aflita e sintoniza com a sua atitude: “Estava a Mãe dolorosa/ junto da Cruz lacrimosa,/ de onde seu Filho pendia./ Uma longa e fria espada,/ nessa hora atribulada,/ o seu coração feria.../ Quem é que não choraria,/ ao ver a Virgem Maria/ rasgada no seu coração!/ Ó doce Fonte de amor,/ faz-me sentir tua dor,/ para que chore contigo;/ e que por Cristo, enfim,/ meu coração abrasado/ viva mais nele do que em mim.” 

Não se encontra nada tão emotivo, na liturgia da Igreja, como esta balada triste, cujas estrofes monótonas vão rolando como doces lágrimas. 

Nossa Senhora do Evangelho - “Fazei o que Ele vos disser” - Abílio Pina Ribeiro 

Nossa Senhora das Dores - (15 de setembro) - A memória tem origens devocionais que remontam à Idade Média “Maria Virgem das Dores”. Difundida graças ao apostolado da Ordem dos Servos de Maria, para os quais fora aprovada em 1667, estendeu-se à Igreja Universal por ato de Pio VII em 1814. Ela possui notável conteúdo Teológico, já que recorda a presença de Maria aos pés da Cruz. ...  Ainda hoje, colocada depois da festa da Exaltação da Santa Cruz (14 de setembro). 

Dicionário de Liturgia - pág. 1230

 

PROPÓSITO DO  MÊS 

Meditar e refletir: “O mistério de Maria projeta-se como a luz sobre a mãe eterna, aquela que nunca morre e sempre sobrevive.”

INTENSÃO MENSAL

Oferecimento da oração do Santo Terço à Santíssima Virgem Maria, pedindo:

 “Por todas as mães do Mundo”

 

PARA APROFUNDAR

O Silêncio de Maria - Conhecer de perto, Amar melhor - Ignacio Larrañaga.

Nossa Senhora do Evangelho - “Fazei o que Ele vos disser” - Abílio Pina Ribeiro

Dicionário de Liturgia - pág. 1230

 

*A obra que ilustra o Tema Mensal de Setembro de 2020 (Ano A): “Pietá” - Marko Ivan Rupnik - Santuário de São João Paulo II - Cracóvia, Polonia.

 

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2 de ago. de 2020

Tema Mensal - Agosto – 2020 - (Ano A)

“Subi, Senhor, para o lugar de vosso pouso, subi com vossa arca poderosa!” 

(Sl 131)

“... foi exaltada pelo Senhor como Rainha do Universo”

Um só é o nosso Mediador segundo as palavras do Apóstolo: “Porque um só é Deus, também há um só Mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus , que se entregou para redenção de todos” (1 Tm 2.5-6). Todavia a materna missão de Maria a favor dos homens de modo algum obscurece nem diminui esta mediação única de Cristo, mas até ostenta sua potência , pois todo o salutar influxo da Bem-aventurada Virgem a favor dos homens não se origina de alguma necessidade interna, mas do divino beneplácito. Flui dos superabundantes méritos de Cristo, repousa na Sua mediação, dela depende inteiramente e dela aufere toda a força. De modo algum impede, mas até favorece a união imediata dos fiéis com Cristo.  ... 

Ela concebeu, gerou, nutriu a Cristo, apresentou-O ao Pai no templo, compadeceu com seu Filho que morria na cruz. Assim de modo inteiramente singular, pela obediência, fé, esperança e ardente caridade, ela cooperou na obra do Salvador para a restauração da vida sobrenatural das almas. Por tal motivo ela se tornou para nós mãe na ordem da graça.

(Constituição Dogmática “Lumen Gentium” -  ns. 60 e 61) 

São João Bosco, “viu” a Igreja como um navio majestoso ameaçado de todos os lados por uma chusma de naus menores. 

No meio do oceano erguiam-se duas colunas, bem perto uma da outra. Sobre uma delas assentava a estátua da Virgem Maria, de cujos pés pendia um cartaz com a legenda “Auxílio dos Cristãos”; sobre a outra, resplandecia uma hóstia gigante, por baixo da qual se liam as palavras: “Salvação dos Fiéis”. Agarrada a estas duas colunas, navegava a Igreja, firme e vencedora. 

A relação íntima entre estes dois tesouros da Igreja Católica já era cantada num belíssimo hino eucarístico dos fins do século XIII, intitulado “Ave verum”: 


“Eu te saúdo, verdadeiro Corpo nascido da Virgem Maria,

o qual verdadeiramente padeceu e foi imolado por nós na cruz;

do seu lado trespassado manou sangue e água.

Protege-nos quando formos julgados no termo da nossa vida,

ó doce Jesus, ó piedoso Jesus, ó Jesus filho de Maria.”

 

“A carne de Cristo é a carne de Maria” - pensavam com emoção os Padres da Igreja, acentuando a “continuidade” entre o corpo histórico de Jesus, nascido da Santíssima Virgem, e o seu corpo ressuscitado, presente na Eucaristia. Deus serviu-se desta maravilha para que Jesus - o mesmo Jesus que Nossa Senhora deu à luz em Belém, que passou pela terra fazendo bem a todos, que foi sacrificado no Calvário e ressuscitou - continuasse a ser o “Emanuel”, o Deus-conosco. “Tudo o que havia de visível em Nosso Senhor Jesus Cristo passou para os sacramentos da Igreja” - refletia o Papa São Leão Magno. 

Duas vezes é recordada a Virgem Maria no referido hino e as duas para insistir no vínculo existente entre ela e a Eucaristia. 

“Maria é um sacrário em que habitou o Verbo Encarnado, símbolo da habitação do Verbo na Eucaristia. O corpo de Jesus, nascido de Maria, nasceu para se tornar Eucaristia” - Santo Efrém.        

A relação entre a Eucaristia e Nossa Senhora já se pode ver no alto do Calvário. A morte e a ressurreição de Cristo aconteceram ali “de uma vez para sempre”, mas o ato redentor, pessoal e único, torna-se presente na celebração da Eucaristia, sob os sinais do pão e do vinho que Jesus utilizou na Última Ceia. 

Precisamente na “hora” do Calvário, Jesus entregou a sua Mãe ao discípulo predileto e, nele, a cada um de nós. Não se pode celebrar o memorial da morte do Senhor em cada Missa sem recebermos em nossa “casa”, em nossa vida, a prenda incomparável que é a Mãe de Deus - reflete João Paulo II na sua Carta Apostólica A Igreja vive da Eucaristia. “Todas as Missas têm sentido mariano” - concluía Paulo VI. 

“Se a Eucaristia é um mistério de fé que excede a nossa inteligência, a ponto de nos obrigar ao mais puro abandono à Palavra de Deus, ninguém melhor do que Maria pode servir-nos de apoio e guia nesta atitude de abandono”  João Paulo II, Ecclesia de Eucaristia, n. 53  

PROPÓSITO DO MÊS 

MEDITAR E REFLETIR: “Maria é um sacrário em que habitou o Verbo Encarnado, símbolo da habitação do Verbo na Eucaristia. O corpo de Jesus, nascido de Maria, nasceu para se tornar Eucaristia.” 

INTENÇÃO MENSAL: Oferecimento da oração do Santo Terço à Santíssima Virgem Maria, pedindo:

“Senhor Jesus, Filho de Deus vivo, tende misericórdia de mim, pecador.”

 

PARA APROFUNDAR

Compêndio do Vaticano II -  Constituição Dogmática “Lumen Gentium”  - ns. 60 e 61

Nossa Senhora do Evangelho  “Fazei o que Ele vos disser” - Abílio Pina Ribeiro

 

*A obra que ilustra o Tema Mensal de Agosto de 2020 (Ano A): “Coroação de Nossa Senhora”,  de Marko  Rupnik.

 

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1 de jul. de 2020

Tema Mensal - Julho 2020

Julho - 2020 - (Ano - A)

Ave Maria,  “magnífica honra de Israel, esplêndida glória de nosso povo” (Jt 15.9)

“Feliz o seio da Virgem Maria, que trouxe o Filho do eterno Pai” (Lc 11.27) 

O Concílio Vaticano II tratou o tema da Virgem Maria na Constituição sobre a Igreja. Dedicou-lhe o capítulo VIII, o último da Constituição, querendo significar, assim, que em Maria se encontra a perfeita imagem da Igreja que o título define: A Bem-aventurada Virgem Maria Mãe de Deus no mistério de Cristo e da Igreja. 

A doutrina mariana do Concílio tem sido desenvolvida pelo magistério da Igreja de uma forma muito abundante, sobretudo na “Marialis Cultus” e na “Redemptoris Mater”. A exortação Apostólica Marialis Cultus  de Paulo VI apresenta a Virgem Maria como modelo da Igreja no exercício do culto. Desenvolve a temática da fé com o recurso à oração da Igreja. Segundo a tradição, a Igreja reza como crê e acredita como reza: a norma da oração determina a norma da fé. A formulação da oração evolui à medida do aprofundamento vivencial da fé. 

A liturgia apresenta a Virgem Maria muito à maneira da Igreja e suas circunstâncias. O objetivo pedagógico e mistagógico é apresentar Maria como figura e modelo da Igreja. As formas de conceber a Mariologia dependem da Eclesiologia. Maria e Igreja são uma mesma realidade sacramental. 

Pouco sabemos da oração de Maria, mas pela oração da Igreja sabemos tudo o que da oração de Maria importa saber. 

O próprio espírito com que Maria rezava, porque o Espírito rezava em Maria, foi cuminicado à oração da Igreja, “onde floresce o Espírito”. (Hipólito de Roma, Tradição Apostólica, 82) 

Assim, podemos considerar Maria como modelo da Igreja em oração e da oração da Igreja. A liturgia é a norma de toda a oração. Foi assim o culto do antigo Israel que Maria conheceu e praticou e assim será no culto da Igreja que Deus iniciou em Maria.  ...

O Magnificat apresenta Maria como a mulher orante por excelência. A sua oração encontra inspiração na prece das grandes mulheres orantes do Antigo Testamento, (p. ex: Ana, mãe de Samuel (1Sam 2.1-10), Judite (9.2-14), Ester (4.17)). A oração destas mulheres inaugurou novos tempos no seu tempo, como a de Maria inaugurou os tempos messiânicos, os sinais de Jesus em Caná e a oração da Igreja nascente. 

A oração de Maria anuncia a oração da Igreja. Em Maria a Igreja iniciou a sua oração e em união com ela a perpetua. 

O recurso a Maria nos textos da liturgia é uma necessidade orante da Igreja, porque Maria é um ícone, uma imagem orante, uma referência constante no espírito e na letra da oração da Igreja. 

A Virgem Maria na Liturgia da Igreja - Documentos da Igreja e Estudos 

Paulo VI propõe-nos Maria como “exemplo da atitude espiritual com que a Igreja celebra e vive os divinos mistérios”, e adorna-a com os belos títulos de Virgem ouvinte, Virgem orante, Virgem oferente, Virgem Mãe e Mestra de vida espiritual. (Marialis Cultus). 

Mais tarde, João Paulo II, convida a Igreja a frequentar a “escola de Maria, mulher eucarística” (Encíclica - A Igreja vive da Eucaristia).  ... 

Com Cristo, único e eterno sacerdote, o cristão faz da sua vida um “culto agradável a Deus”. De este culto existencial, Maria é, para a Igreja, o modelo mais inspirador e mais perfeito. Paulo VI escreveu: 

“Bem cedo os fiéis começaram a olhar para Maria, a fim de, como ela, fazerem da própria vida um culto a Deus, e do seu culto um compromisso vital. Já no século IV, Santo Ambrósio, ao falar aos fiéis, lhes auspiciava que em cada um deles houvesse a alma de Maria, para glorificarem a Deus: “Que em cada um de vós haja a alma de Maria para bendizer o Senhor; e em cada um de vós esteja o seu espírito, para exultar em Deus!”.              

Nossa Senhora do Evangelho “Fazei o que Ele vos disser” - Abílio Pina Ribeiro 

16 de julho - Festa de “Nossa Senhora do Carmo” - “Venha, ó Deus, em nosso auxílio a gloriosa intercessão de Nossa Senhora do Carmo para que possamos, sob sua proteção, subir ao monte que é Cristo. Que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo.” 

Em 16 de julho de 1858 - Nossa Senhora, aparece em Lourdes - “Era a noite da festa de Nossa Senhora do Carmo quando Bernardette, que estava na igreja, ouviu o chamado para ir à Gruta dos Milagres”. Enquanto rezava, teve o último encontro com a “Senhora de Branco” - Décima Oitava Aparição. 

PROPÓSITO DO MÊS

Meditar e refletir: “O Magnificat apresenta Maria como a mulher orante por excelência.” 

INTENÇÃO MENSAL

Oferecimento do Santo Terço à Santíssima Virgem Maria, “Para que as famílias sejam acompanhadas com amor, respeito e conselho” 

PARA APROFUNDAR

- A Virgem Maria na Liturgia da Igreja - Documentos da Igreja e Estudos

- Nossa Senhora do Evangelho “Fazei o que Ele vos disser” - Abílio Pina Ribeiro 

*Ilustra o Tema Mensal - Julho 2020 (Ano A), a obra: “Mãe de Deus” - de Cláudio Pastro.

 

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